Era um evento organizado pela CESGRANRIO. Um seminário nacional de educação. Especialistas de diversas áreas do conhecimento foram desfilando suas opiniões. Há muito o que se dizer sobre o ensino/aprendizagem, sobre a formação de professores, sobre o currículo, sobre a sala de aula, sobre a participação das famílias no processo educativo, sobre o poder de desenvolver a autonomia de um aluno.

Uma das mesas foi diferente. Eram alunos do ensino médio que responderiam às perguntas dos educadores. Falaram eles sobre as experiências em suas escolas, sobre o desenvolvimento das emoções, sobre os encontros necessários. Falaram com a autoridade de quem vive o dia a dia de uma escola. E, a cada pergunta, um deles respondia.

A pergunta que me deixou mais intrigado foi a seguinte, "Imagine se o próximo presidente da república chamar um de vocês e perguntar qual a reforma necessária que se deve fazer na educação do Brasil. Se você tivesse o poder de influenciar o presidente, o que você diria?". O jovem respondeu sem rodeios: "Pergunte aos professores". Deu uma pausa e explicou, "Nenhuma reforma na educação dará certo sem a participação dos professores. Quem está nas escolas todos os dias? Quem está nas salas de aula? Quem conhece o problema real da educação do Brasil? E, vejam bem, há muitos brasis. Somos grandes demais para uma reforma que venha de cima para baixo sem ouvir os professores".

O presidente da CESGRANRIO, professor Serpa, pegou o microfone e, do alto dos seus 76 anos, disse que havia tomado um banho de esperança ao ouvir aqueles jovens. E falou com o entusiasmo dos que resistem, dos que persistem generosamente professando a crença no ser humano.

Do que se lembram as pessoas, quando estão partindo?

Um amigo, com olhos marejados, falou da despedida de seu pai em uma cama de hospital. Os quatro filhos estavam lá. A mulher, também. E as duas noras.

Era o entardecer de um domingo. E foi a última vez que se falaram. O pai, com a voz em despedida, lembrou da festa de casamento. Apertou, com as forças que tinha, a mão da mulher e conseguiu ainda um sorriso. Ele havia se atrasado. Por causa da mãe. A mulher ouvia e mexia a cabeça em concordância. Depois, os nascimentos dos filhos. As preocupações. O tombo de um. A catapora de outro que passou para os outros. E a voz foi falhando. Os olhos, então, se fecharam. Junto com o Sol. Era noite quando mãe e filhos se abraçaram e choraram juntos. A doença os havia preparado para esse momento. “Não. Ninguém está preparado!”, foi o que disse o filho mais novo.

Meu amigo prosseguiu dizendo que é o primeiro dia dos pais sem o seu pai. Meus pensamentos viajavam, enquanto ele falava, pelo meu pai. Faz muitos dias dos pais que não o tenho comigo. Que não posso brincar com ele de quem tem as mãos maiores, que não posso preparar um sanduíche especial, ele gostava dos meus fazeres na cozinha. Faz tempo que só converso com ele em pensamento. Quando estou triste. Quando estou feliz. Em muitas conquistas na minha vida, eu olhava para frente e desejava profundamente que ele estivesse ali. Quem sabe?! Há entre os mundos que habitamos uma cortina de amor chamada mistério.

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