Os anjos da guarda da educação

Por Gabriel Chalita

“Goza a euforia do vôo do anjo perdido em ti. Não indagues se nossas estradas, tempo e vento, desabam no abismo. Que sabes tu do fim? Se temes que teu mistério seja uma noite, enche-o de estrelas. Conserva a ilusão de que o teu vôo te leva sempre para mais alto. (…) Rumo do céu? Que importa a rota. Voa e canta enquanto resistirem as asas.” (“O vôo”, Menotti del Picchia)

No filme Cidade dos Anjos (EUA, 1998), o ator Nicolas Cage interpreta Seth, um anjo que vive na Terra, levando consolo às pessoas necessitadas. Assim como os outros seres angelicais que aparecem na história, Seth afirma habitar locais ligados ao conhecimento como, por exemplo, as bibliotecas, as universidades e as escolas, de um modo geral. O fato é que, se nos transportarmos da esfera da ficção para a realidade de nosso dia-a-dia, veremos que nossos estabelecimentos de ensino também abrigam milhares de anjos que, assim como a personagem vivida por Nicolas Cage, estão sempre dispostos a ajudar, protegendo, auxiliando e prestando socorro aos milhões de educadores e educandos que solicitam suas presenças, seus afazeres, seus cuidados e, por que não dizer, sua luz. São os funcionários do quadro de apoio da Educação. Personagens indispensáveis que produzem, encenam, dirigem e atuam, cotidianamente, no espetáculo interminável do binômio ensino-aprendizagem. É preciso aplaudir de pé essa equipe responsável por garantir o bom andamento do roteiro educacional das mais de seis mil escolas da rede estadual de ensino de São Paulo. Pessoas comprometidas com sua missão. Uma missão tão nobre quanto a dos professores, uma vez que também se dedicam, participam e contribuem de forma efetiva e eficaz para a realização do processo educativo. Prova disso é que, todos os dias, merendeiras, inspetoras(es), secretárias(os), assistentes administrativos, zeladores, porteiros e profissionais da limpeza se empenham e zelam para que o ambiente escolar seja o mais agradável possível. Um ambiente perfeito para que ocorra a discussão, o debate, a reflexão, a troca de experiências e de aprendizados diversos. Um ambiente que ficará para sempre em nossa memória e em nossos corações porque nele nascem, crescem e florescem grandes amizades e saberes que marcarão e mudarão, para sempre, as nossas vidas. Em seu livro O Sagrado e o profano – A essência das religiões, Mircea Eliade denomina esses locais como “lugares sagrados”. Atuação desses profissionais-anjos nesses nossos “lugares sagrados” costuma ser tão intensa e profícua, que muitos acabam por se transformar em figuras verdadeiramente lendárias. Com o passar do tempo, tornam-se conhecidos, respeitados e admirados por toda a comunidade escolar, originando uma relação fundamentada na confiança, no afeto e no respeito mútuo. Basta que observemos de forma mais atenta para constatar que muitas dessas pessoas constroem toda a sua vida profissional no setor educacional… Toda uma vida posta a serviço do ensino… Toda uma vida colaborando para a formação emocional e intelectual de milhares de estudantes, futuros cidadãos conscientes de seus direitos e deveres. Indivíduos capazes de conhecer e desenvolver, de forma contínua, todos os seus talentos e potencialidades. Futuros profissionais competentes. Futuros pais e mães exemplares. Neste sentido, este texto visa a prestar uma homenagem a esses funcionários-educadores que – tais quais os anjos que povoam o imaginário coletivo – são fontes inesgotáveis de luz, de energia e de amor. São essas características, aliadas à paixão que nutrem por seu trabalho, que os tornam capazes de contribuir para iluminar os caminhos que nos conduzirão a um futuro mais promissor. Um tempo em que a excelência educacional deixará de refletir apenas um sonho, para ser – com o auxílio precioso de nossos anjos – uma iluminada realidade.

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