Por Gabriel Chalita

“O maior acontecimento de minha vida foi, sem sombra de dúvida, a biblioteca de meu pai”. A frase impactante e, ao mesmo tempo, grandiosa, por tudo o que traz implícita, foi proferida pelo escritor argentino Jorge Luis Borges. Sua paixão pelos livros seguiu avassaladora até o final de sua vida, quando já estava cego e dependente de amigos ou familiares que liam para ele todos os dias. Borges sofria de um problema congênito na visão, proveniente de seus ascendentes paternos.

Por Gabriel Chalita

Ele era negro, epiléptico e pobre. Para complicar ainda mais sua trajetória de vida, nasceu no século XIX, em meio à sociedade marcadamente preconceituosa da época. Filho de uma lavadeira açoriana e de um pintor mulato, passou a infância no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro. Órfão, foi criado pela madrasta. Frequentou o curso primário numa escola pública e aprendeu Francês e Latim com amigos da família e com um padre. O mais impressionante nessa história é que, mesmo sob o signo de tamanha dificuldade, reluziu a estrela maior de nossa literatura. 

Por Gabriel Chalita

Com o tempo, percebemos que a memória é extremamente seletiva. Só guardamos os fatos realmente relevantes para nossas vidas. É mais um sábio mecanismo utilizado pela natureza humana para que possamos evoluir de forma mais harmoniosa e organizada, sem tantos “arquivos” dispensáveis para atrapalhar a vivacidade das recordações fundamentais à construção de nossa história pessoal.

Publicidade