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Supletivo no fim de semana

Um supletivo de ensino médio totalmente gratuito. Onde as aulas acontecem apenas aos fins de semana. E com vagas para todos os interessados. É o projeto Escola da Juventude.

Criado pelo governo do Estado para jovens e adultos entre 18 e 29 anos que tenham o ensino fundamental completo, ele é a oportunidade para quem trabalha durante o dia e não consegue freqüentar as aulas à noite. “Agora ninguém mais terá desculpa para não estudar”, afirma o secretário estadual da Educação, Gabriel Chalita. “Além dos cursos que ocorrem nos períodos diurno ou noturno, estamos lançando este de fim de semana. Tem opção para todos.”

O projeto foi idealizado porque a secretaria percebeu que muitos jovens abandonavam a escola por não conseguir cursar nem o período noturno. “Tem gente que trabalha até tarde e não consegue chegar na escola para o supletivo da noite. Daí a necessidade de se oferecer o curso aos sábados e domingos.”

O projeto Escola da Juventude vai começar com 30 mil vagas em 300 escolas de todo o Estado, mas Chalita garante que, se houver mais inscrições, todos serão atendidos. “Vamos ter vaga para todo mundo. Se precisar, abriremos novas turmas.” Não há dados precisos sobre o número de jovens e adultos do Estado que não fizeram o ensino médio.

De acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) – órgão do Ministério da Educação responsável pelas estatísticas -, em 2002 o número de formandos na 8.ª série do ensino fundamental foi de 673.820. No mesmo ano, 507.995 concluíram o ensino médio. Assim, 165.825 alunos abandonaram a escola no Estado de São Paulo.

O projeto, que será lançado oficialmente amanhã pelo governador Geraldo Alckmin e pelo secretário, pretende formar os estudantes em um ano e meio e ainda fazê-los participar da inclusão digital. Para isso, o curso será dividido em três tipos de atividades: as curriculares presenciais, que são aulas das disciplinas tradicionais aos sábados e domingos; as de inclusão digital, que também ocorrerão aos fins de semana durante uma hora e meia; e as individuais, para serem feitas durante a semana. “A Escola da Juventude vai usar as novas tecnologias da informação para acelerar o processo de aprendizagem”, conta Chalita. “E foi por isso que buscamos parceiros. Eles nos ajudaram com o desenvolvimento de softwares, por exemplo.” Laboratórios de informática, salas de vídeos e um portal na internet serão alguns dos ambientes utilizados nas aulas.

Professores serão universitários

Os parceiros também são responsáveis pela contratação dos professores e orientadores, mas ainda não estão definidas as datas para a seleção. Na sala de aula o aluno contará com um orientador de estudos e na sala ambiente de informática com um monitor para auxiliá-lo a tirar suas dúvidas. As disciplinas formais, como geografia, química, matemática, serão lecionadas por estudantes do último ano da graduação de cursos que tenham licenciatura. “Assim conseguiremos dar chance para os jovens professores. Eles terão contato com a prática e estarão mais bem preparados para a carreira no magistério”, acredita o secretário.

O curso acontecerá em três módulos (cada um com duração de seis meses) e o aluno terá flexibilidade para freqüentá-lo segundo sua disponibilidade de tempo. A avaliação será contínua, com provas bimestrais, e um exame para a conclusão do módulo no fim do semestre. O diploma do ensino médio será concedido após a aprovação em todos os módulos. Os interessados em estudar na Escola da Juventude devem procurar um dos colégios participantes entre 2 e 28 de fevereiro. Para saber onde fica a escola mais próxima ligue para o 0800-7700012. O início das aulas está previsto para 5 de março.

Vontade de aprender

“Nome: Vitor Ribeiro de Amorim. Idade: 22. Escolaridade: cursou até a 8ª série. Sonho: fazer uma faculdade. Vitor é exatamente quem a Secretaria Estadual da Educação procura. Para aprender. Auxiliar de escritório, ele parou de estudar há quatro anos. Precisava trabalhar e até tentou fazer um curso supletivo durante a noite, mas ficava longe do serviço e Vitor não conseguia chegar a tempo para as primeiras aulas. Teve de adiar o sonho de se formar administrador de empresas. Adiar, no entanto, não quer dizer desistir, e ele está disposto a abrir mão dos fins de semana durante dezoito meses para conseguir fazer o ensino médio. Sabe que só assim vai poder subir na vida. “Vou me inscrever nesse programa novo assim que as vagas abrirem. Só espero que ele aconteça em uma escola perto do meu trabalho ou da minha casa”, disse assim que soube do Escola da Juventude. “Essa era a oportunidade que a gente precisava e não vou deixar passar de jeito nenhum.”

Vitor não fala só por ele. Seu irmão de 25 anos é atendente em uma loja e também teve de abandonar a escola sem terminar o ensino fundamental. “Chega uma hora em que não temos escolha. Como não dá para deixar o emprego, deixamos a sala de aula”, afirma. “Mesmo querendo ficar.”

Com as aulas aos sábados e domingos, o morador da Cidade Tiradentes, na Zona Leste, agora vai poder conciliar trabalho e estudo sem problemas. “Tenho muita vontade de aprender. Meu objetivo é crescer na vida e sei que só vou conseguir quando tiver um diploma.”

Vontade de ensinar

Nome: Júlio Barbosa. Idade: 22. Escolaridade: cursa o último ano de geografia. Sonho: ser professor. Júlio é exatamente quem a Secretaria Estadual da Educação procura. Para ensinar. Formando da Universidade de São Paulo, ele tenta uma vaga na pós-graduação e se prepara para ser um mestre. Prefere os adultos aos adolescentes na hora de lecionar e já tem experiência como professor de fim de semana. Todos os sábados, Júlio dá aulas de inglês para uma turma que tem entre 15 e 21 anos no Instituto Intercultural.

Sua maior dificuldade, conta, é incentivar os alunos para que não desistam no meio do caminho. “Alguns começam a trabalhar; outros ficam sem dinheiro para a condução. Não adianta só oferecer uma boa aula, tem de dar condição para que o aluno chegue até ela.” E é isso que ele espera que o Escola da Juventude faça. Ao saber do projeto, ele elogiou a iniciativa. “É uma oportunidade para quem não pôde fazer o ensino médio e também para os estudantes que querem ser professores começar a trabalhar.”

Júlio não fala só por ele. Na sua turma de geografia, cerca de 40% dos alunos querem dar aula mas muitos ainda não conseguiram uma chance de trabalho. “Este programa é uma ótima opção para os universitários, principalmente para os que querem ensinar jovens e adultos. Além de ganhar experiência, sempre é bom estar ligado a um projeto social.” Envolvido com a pós-graduação, o morador de Santa Cruz, na Zona Sul, diz que gostaria de participar do programa, mas ainda não sabe se terá tempo livre. “De qualquer forma, muita gente vai ter a oportunidade de aprender a ensinar.

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  • Website: www.chalita.com.br
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