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Gabriel Chalita: "A política só melhora com educação"

Professor, educador, escritor e deputado federal, Gabriel Chalita esteve em Santa Catarina falando no 33º Encontro Estadual do Ministério Público. Falou sobre a importância da educação como princípio da dignidade humana. Foi aplaudido de pé. Foi o mais votado nas eleições de 2010, mas desistiu de concorrer. Convidado, fará a conferência de abertura da Feira do Livro de Frankfurt, em outubro. Depois, vai à China tratar da tradução de três de seus livros. Em Balneário Camboriú, concedeu a seguinte entrevista:

Moacir – Por que o senhor não concorre à reeleição?

Gabriel Chalita – A minha vocação é a educação e a literatura. Acho que cumpri meu papel como deputado federal, elaborei o Plano Nacional de Educação e agora quero me dedicar ao que mais gosto: falar de educação com professores, promotores de Justiça, com magistrados. Acho que ajudo mais o Brasil na literatura e na educação. Não estou abandonando a política, que é um espaço importante. Mas neste momento que estou dando tantas palestras fora do Brasil, não seria um deputado de corpo inteiro no Congresso.

Moacir – O senhor tem enfatizado muito a formação dos professores
.

Chalita – Exatamente. Quando a gente olha os países que estão com boa avaliação no Pisa, em primeiro lugar está a China, depois a Finlândia e em seguida a Coréia. Você olha estes países e todos eles têm uma forte política de formação e valorização de professores. Um professor tem que estudar o tempo todo e tem que ter um bom salário. Há uma pesquisa do MEC indicando que apenas 2% dos alunos do ensino médio querem ser professores. Isso é uma tragédia. Temos apenas 18% dos professores dando aula de Física com diploma de Física. Com Química é igual. Se a gente não valorizar o professor, não melhoramos a educação. Enfatizo que temos de valorizar o professor em três lugares: na cabeça, no coração e no bolso. Cabeça é formação, coração é respeito e bolso é um salário digno.

Moacir – Quais são as quatro prioridades para a educação
?

Chalita – Primeiro, formação de professores; segundo, escola com tempo integral (alunos mais tempo na escola); terceiro, um currículo adequado, mesclando teoria com prática, porque o aluno não tem paciência de coisas só teóricas; e quarto, a família. Por melhor que seja uma escola ela nunca vai suprir esta carência deixada por uma família ausente. Vamos fazer com que a escola cumpra este processo educativa.

Moacir – Como melhorar a política brasileira?


Chalita – Temos que melhorar a educação. Quando você melhora a educação, as pessoas começam a ter um posicionamento melhor sobre o que significa a política. Por isso, fico muito preocupado com o horário eleitoral. Há muitos candidatos que transformam o horário eleitoral numa palhaçada. Isso é muito ruim para a política. Política é coisa séria. A situação política no Brasil, com esta quantidade de partidos e estes escândalos todos, não é das melhores. Mas não dá para desistir.

Fonte: Moacir Pereira | http://wp.clicrbs.com.br

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